sábado, 9 de agosto de 2014

Quatorze anos de utopias

O dia 27 de outubro de 2000 mudou minha vida. Ou antes, confirmou uma vocação. Explico: foi naquela quinta-feira que me tornei jornalista. Estava em casa, estudando para o vestibular de jornalismo que faria em dezembro, quando toca o telefone fixo de casa. Naquela época, celulares eram proibitivos e não havia nem Orkut, nem Facebook, obrigando as pessoas a se falarem ao telefone. Era um amigo, que colaborava no jornal alternativo Essência Vital. Sabendo que eu já tinha escolhido o que quereria ser quando crescesse, o amigo me avisou que estavam precisando de colaboradores no EV e perguntou se eu poderia ir, naquela tarde, conversar com o editor.

Sorri e fui. O jornal ficava na Rua Garibaldi, na Tijuca, bem próximo ao Grajaú, onde vivia. Quando abri a porta da redação – na verdade uma sala pequena, onde cabiam três computadores e uma impressora enorme, com scanner –, vi no olhar do editor um ar de decepção. Ele me olhou de cima abaixo e, após minha apresentação, disse. Bem, seu amigo falou como se você fosse um experiente jornalista. A verdade é que nem formado você está. Vendo minha tristeza e porque, afinal, o editor era editor, mas tinha um bom coração, ele me ofereceu um teste.

Tome aqui esse material, disse ele, e faça um texto sobre a intifada. Estávamos, de fato, vivendo a segunda intifada, o levante palestino contra Israel. Na época, se me lembro com clareza, era mais fácil escolher o bem e o mal, o certo e o errado. Os palestinos lutavam com paus e pedras e não mísseis. Ou será que eu amadureci e hoje não enxergo mais tudo pelo maniqueísmo simplista? Tergiverso, porém.

O fato é que, dezoito anos recém-completos, como eu poderia escrever um artigo sobre tamanho problema, que até hoje persiste sem solução? Era uma pegadinha, uma forma sutil e muito educada de me dispensar. Sorri, agradeci, peguei o material que me foi oferecido e sai, deixando para trás a esperança que havia levado. Descendo a Rua General Espírito Santo Cardoso, perpendicular a Rua Garibaldi, retomei a calma e pensei que não tinha nada a perder. Ainda faria vestibular e teria dezenas de oportunidades iguais ou melhores que aquela. Há, contudo, em mim o orgulho do anjo rebelado. Mesmo sabendo que eu haveria de prosperar na profissão, resolvi aproveitar a oportunidade. Além do perfil editorial do veículo, que fora fundado em 1995 e durou mais três anos deixando uma legião de fãs e muita saudade, que unia espiritualidade, vegetarianismo e uma preocupação política e social inédita naqueles tempos, seria interessante chegar à faculdade e dizer que eu já trabalhava num jornal.

Voltei a casa e comecei a apurar o assunto. Graças aos céus já havia internet. Aproveitei para consultar uns livros de história – seriam úteis dali a dois meses – e sintonizar o rádio. O técnico Zagallo iria reestrear no Flamengo e jogaríamos contra o Vasco. E enquanto o rubro-negro ia fazendo um gol após o outro no futuro campeão da Copa João Havelange, eu praticamente psicografava meu primeiro artigo de opinião. Ah os dezoito anos, quando temos todas as certezas, são tão simples. Era mais fácil viver quando se escolhia um lado e acusava o outro de todas as mazelas do mundo. No momento em que o atacante Edilson convertia o pênalti encerrando o placar em 4X0, com dois gols de Petkovic e um de Adriano Imperador, eu escrevia o ponto final na matéria.

Na sexta-feira, fui ao pré-vestibular com uma cópia do texto. Não prestei atenção às aulas, pois revisava vez após vez o artigo. De tarde, 24 horas depois da reunião, enviei o texto. Passaram-se três dias. No dia 1º de novembro, segunda-feira, recebi a resposta, por e-mail. Abri sem expectativa. E vi, entretanto, uma mensagem de felicitação, parabenizando o texto, incentivando-me a abraçar a profissão e, mais importante, me convidando a atuar no jornal. O fato de ser uma colaboração voluntária, pouco importava. Eu queria mudar o mundo com um jornal. E com esta utopia eu comecei no jornalismo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Minha Oktoberfest particular

"Eu sou um triste”. O instrutor de um centro de meditação da Rua Alegre certa vez me disse que o jovem Nelson Rodrigues costumava andar de uma ponta a outra da rua, mãos nos bolsos, cabeça baixa, a resmungar essa sentença tão simples quanto soturna. “Eu sou um triste”. Lembrei-me da história nesta semana ao constatar que há alguns meses não escrevo nada no blog. Fruto de uma pós-graduação exaustiva e um intenso ritmo de trabalho que me impedem, vejam vocês, de inclusive comparecer mais amiúde no meu escritório – o já afamado Benditho Bar.

Ao encarar o fato de que não sou mais dono do meu tempo, lembro da frase e imediatamente repito. Eu sou um triste. Ou melhor, eu estou um triste, pois não há mal que resista a uma Bamberg Camila Camila no copo. Pois bem, essa tristeza aumenta nessa época do ano em que o mundo cervejeiro está comemorando a Oktoberfest. Munique, Blumenau e mesmo Itapiranga (SC), cidade aprazível onde certa vez fui fazer uma reportagem sobre um projeto de geração de energia a partir de biogás. A festa lá, e eu aqui, estudando gestão de crise, assessoria de comunicação e outras bobagens que preciso saber para ganhar o pão nosso de cada dia.

Ainda bem, porém, que a Cervejaria Eisenbanh vai me ajudar a sair momentaneamente da tristeza. Na próxima segunda-feira (3/10), às 20h, eles vão organizar mais uma sessão da #Provetuite. É uma espécie de degustação à distância, que será transmitida via Facebook (www.facebook.com/CervejaEisenbahn) diretamente do Bar da Fábrica. Nessa edição do #Provetuite Especial Oktoberfest, Juliano Mendes, um dos fundadores da empresa, e o mestre-cervejeiro Gerhard Beautling darão dicas de harmonização entre a Eisenbahn Weizenbier – ótima cerveja por sinal –, salsichão e o queijo francês Chèvre, de leite de cabra.

Segundo a assessoria WE3 Online as informações sobre como acompanhar o evento estão sendo divulgadas no twitter (www.twitter.com/_eisenbahn_), além do Facebook já citado. Ainda segundo a assessoria “no #Provetuíte, os seguidores acessam o link de streaming live e podem sugerir, questionar ou simplesmente acompanhar todas as informações passadas pelo apresentador”.

Eu nunca participei desse evento. Nem ao menos tenho Facebook, mas como certamente não irei a Blumenau, a Munique ou a Itapiranga – bem que eu tentei, afinal o projeto de biogás ainda ocorre por lá –, acho melhor criar uma conta e viver minha Oktoberfest particular bebendo uma cerveja defronte ao computador.  E torcendo para a tristeza, ou, antes, a pós-graduação  acabar. Prosit!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mais uma do Hallertau

Desculpem-me a demora em atualizar esses mal traçados posts. Muita correria na pós-graduação e uma faringite que me afasta há duas semanas do Benditho Bar me deixaram sem assunto. Mas estava eu, hoje pela manhã, bebendo café com leite para alimentar minha faringite, quando encontro minha fonte, o Hallertau (saiba mais aqui), na mesma padaria, no coração da Praça Saens Pena.  Conversa jogada fora, comentamos as atuações do meu Flamengo, e do seu Fluminense, pois ninguém é perfeito. Já ia se despedindo e eu achando que ficaria sem nenhuma notinha para divulgar por aqui, quando ele volta-se para mim e diz: “Anote aí em seu molesquine paraguaio. Um grupo de ex-executivos da Schin se prepara para lançar uma fabricante de cervejas populares. Dizem por aí que a sede ficaria em Itu”. Disse e se foi, mantendo seu indefectível ar de mistério.

Supondo que seja verdade, e em se tratando de Hallertau é melhor não duvidar, trata-se de mais uma cerveja aguada, com excesso de milho e arroz, a julgar pelo adjetivo "popular". É uma pena. Pensei que os brasileiros tivéssemos superado essa fase. Afinal, o último grande lançamento "popular" – a cerveja Proibida – orgulha-se de usar apenas malte de cevada em sua composição. O que não deixa de ser uma microrevolução no mercado brasileiro.

Ademais, prometo aqui a meus leitores atualização mais frequente. Ainda quero dividir com vocês a maravilha que é a Cerveja Caborê, artesanal de Paraty, trazida diretamente da Flip pelo amigo Marcelo Pinto. Até lá.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Apresento-lhes Hallertau, minha fonte secreta, ou uma novidade do mercado editorial

Todo jornalista precisa de fontes para sobreviver na selva das redações. Eu confesso que não tenho muitas fontes, até por já ter transposto o balcão e virado assessor de imprensa há tempos. Mas uma em especial é digna de nota. Trata-se de Hallertau, minha fonte para assuntos cervejeiros. Meus amigos, Hallertau é um frequentador nato de botequins, fanático pelas cervejas holandesas La Trappe - não se pode acusá-lo de mau gosto, não é verdade? Seu nome, melhor dizendo, seu apelido, é uma homenagem a um dos lúpulos de que mais gosto, vindo da região alemã de Hallertau. Não sei se os amigos sabem, mas o lúpulo é responsável pelo amargor e pelo aroma da cerveja. Meu amigo Hallertau é assim: comentários amargos, mas impossível imaginar a vida sem o aroma da ironia que ele exala em cada sentença.

Mas eis o que eu queria lhes contar: outro dia estava bebendo uma cerveja argentina Antares no meu bar preferido, o Benditho Bar, quando toca o telefone do boteco e o camarada Carlos veio me falar. "Cervejeiro Maia, telefone para você". Espantei-em, e diante de meu assombro Carlos ofereceu o telefone e disse: "É um tal de Hallertau, achei que fosse trote".

Não era. "Diga aí meu amigo, o que conta", disse eu. "Anote aí no seu bloquinho e publique no blog porque o furo é quente", replicou ele sem rodeios e eu já sacando meu indefectível Molesquine genérico e minha caneta Parker para anotar a dica. "Saiba você, Cervejeiro Maia, que até o fim do ano a editora Sextante publicará a edição brasileira do livro '1001 cervejas para beber antes de morrer'", disse e foi logo dizendo adeus, porque fonte que se preza tem que manter um ar de mistério de 'Garganta Profunda’ em "Todos os homens do presidente" (Veja o filme e entenda).

Anotado o furo, eis aí uma notícia exclusiva para meus leitores. Até o fim do ano será publicado no Brasil essa magnífica 'bíblia’ do universo cervejeiro. Alias, compartilho aqui com vocês que minha meta de beber mil cervejas  diferentes - e já estou em 449 - começou quando eu soube da existência desse livro. Eu já guardei espaço na prateleira para essa edição.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Vergonha nacional: vem aí a CPMF da cerveja

Meus amigos, vejam vocês que eu ainda não perdi a capacidade de me assombrar com o poder legislativo brasileiro. Um dia, o outro também – só nos dias em que eles trabalham, que são raros, graças a Deus – somos presenteados com as leis mais esdrúxulas possíveis. Esse é o caso da CPMF da cerveja, proposta em forma de PL 895/2011, pelo deputado gaúcho Paulo Pimenta (PT), embora seja eivado de boas intenções. Leia a íntegra do projeto aqui.

Sua excelência afirma, na justificativa do projeto, que o relatório da CPI da Violência Urbana chegou à conclusão que o abuso de álcool é a razão de todos os males e violências do Brasil. Aqui abro um parêntese. Como se o mau exemplo de crimes, falcatruas e roubos de alguns políticos brasileiros, combinados com a impunidade galopante, não fossem suficientes para estimular o crime no país. Fecho o parêntese. Ora, o nobre parlamentar parte de uma premissa verdadeira para chegar a uma conclusão mentirosa.

É verdade que o abuso de álcool torna as pessoas mais violentas. Combinando isso com a posse de uma arma ou de um carro, o desastre é potencializado. Entretanto a Lei Seca já está aí para coibir o uso de álcool e direção e a campanha do desarmamento serve para tirar armas das ruas.  Segundo o deputado Paulo Pimenta, a CPMF da cerveja financiaria o Fundo Nacional de Segurança Pública, além de diminuir o consumo da cerveja.
Ora, Sua Excelência é jornalista e não posso acreditar na obtusidade mórbida de seus argumentos. Eu mesmo estou cansado de ver desvalidos e descamisados entrarem no mercado ao lado de minha casa e comprarem, não uma, nem duas cervejas, mas uma garrafa de cachaça. Enquanto uma lata de cerveja dessas mais comerciais tem no máximo 4,8% de álcool, a cachaça chega a 40%. Agora pergunte a qualquer criança que já saiba fazer contas: o que levará o sujeito a se embriagar mais rápido, gastando menos?

Eis aí o detalhe que destroça todos os argumentos do bem intencionado parlamentar: ele explicita a cerveja com álcool como objetivo de sua ira. Mas exclui cachaça, uísque, conhaque, vodka, vinho, etc. potencialmente mais destrutivos do fígado e estimulantes da violência alheia. Eu bebo cervejas artesanais e importadas há uns seis anos e NUNCA vi ninguém se embriagar com elas. Mas são justamente essas duas a quem o deputado mais prejudicará com suas leis.

Ele argumenta que a legislação protegerá as microcervejarias. Isso não está correto. Talvez proteja os cervejeiros caseiros, que não vendem sua produção. Mas se uma microcervejaria for legalizada e vender sua produção, ela já estará sujeita a adaga do tributo odiento proposto pelo deputado Paulo Pimenta. Ainda mais num país obtuso e tacanho, que não confere a essas empresas o direito de se enquadrarem na lei de micro e pequena empresa. O deputado não sabe, mas essas cervejarias que ele vai prejudicar empregam mais por hectolitro produzido do que as grandes cervejarias, que podem diluir o custo adicionando mais milho ou arroz em seus produtos. Alguém do Partido dos Trabalhadores tem o direito de defender o desemprego?

Ao receber diversos e-mails, o deputado, inspirado pelo espírito democrático, mostrou boa vontade no campo das intenções e quer marcar uma reunião com o setor. Eis aí um bom começo. Dificilmente serei convidado à reunião, pois não produzo cervejas. Apenas aprecio e divulgo a cultura do slow beer, que nos ensina que é preciso beber com mais qualidade e menos.

Mas lanço aqui um desafio público a Sua Excelência, o deputado Paulo Pimenta: se ele me mostrar algum caso documentado de alguém, no Brasil, que se embriagou com cerveja importada, tipo Paulaner, Erdinger, Pilsen Urquel, Guinness ou alguma artesanal brasileira como Falke, Bamberg e Bierland, e saiu por aí brigando, matando e destruindo tudo a seu redor, eu faço questão de parar de beber cerveja e apoiarei o projeto dele.

E aí deputado, encara o desafio?

domingo, 19 de junho de 2011

Um brinde ao cinema cervejeiro ou por que eu odeio o meu Flamengo

Outro dia mandei um twitt para o amigo Thales Carneiro, do site Gole de Cerveja, e marcamos no Benditho Bar para beber um pouco. Eu e ele somos jornalistas, e vem com a profissão essa tendência de beber para esquecer o mundo cão que nos rodeia. Thales e eu nos conhecemos por intermédio do Blogueiros Brasileiros de Cerveja, que reúne blogs para debater um pouco sobre tão vasta quanto saborosa cultura. O fato é que o amigo está finalizando um documentário sobre cervejas especiais que eu já estou curiosíssimo para ver. Ele já postou alguns trailers em seu site, por isso deixe de preguiça e passe por lá para assistir aqui.

Lá pelas tantas, depois de uma Bierland Vienna e uma Bierland Weiss, e já finalizando uma Coruja Alba, também no estilo weissbier, eu comentei com ele sobre o nosso time, o Flamengo. “Ocorre Thales, que eu sou um ressentido radical contra o Flamengo. Comecei a acompanhar com mais atenção o futebol quando o Brasil faturou o tetracampeonato (Aqui abro um parêntese, o amigo Thales, de mesma idade que minha pessoa, também começou a acompanhar o futebol nessa época. Fecho o parêntese). Logo no ano seguinte o Mengo comemorava o centenário e trouxe o Romário. Acompanhei todos os jogos, e na final contra o Fluminense eu estava certo de que levaríamos o caneco. Então ocorreu o gol de barriga. Desde esse dia eu não admito nenhuma derrota, nem mesmo um empate do Flamengo.”

Sem entender muito esse fanatismo obtuso, Thales pedia ao companheiro Carlos, sofredor rubro-negro como nós, uma Paulistânia Dunkel, para encerrar o papo. Eu, empolgado com meu rancor, completei. “O Mengo tem, há 16 anos, uma dívida moral impagável para comigo. Não sofro mais por seus resultados medíocres. Eu sinto raiva! E esse time de hoje certamente não me dará nem uma promissória. O camisa 10 e capitão é um ex-jogador em atividade; já o treinador é um ex-técnico na ativa. Essa combinação é perfeita para nos guiar à segunda divisão”, conclui. Finalizada a cerveja, pré-agendamos a próxima rodada para quando a grana estiver sobrando.

Mas porque lhes contei tão triste história? É que após mais um resultado medíocre do Flamengo e ciente de que isso não passa de uma manobra daquelas prima-donas para derrubar o treinador, eu desisti de vez de assistir a qualquer jogo desse bando que conspurca o manto sagrado. Televisão agora só se for para assistir ao documentário do amigo Thales. Um brinde ao cinema cervejeiro.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Benditho Bar, o campeão moral do Comida di Buteco 2011

Meus amigos, o campeão do Comida di Buteco 2011, encerrado no último domingo (5), foi o Bar da Gema, na Barão de Mesquita, esquina com Rocha Pombo, na Tijuca. De fato, quando provei o petisco deles, o Doce Subsolo de Buteco, compreendi porque até a histérica da academia se rendeu ao prato (leia aqui). A conquista do Bar da Gema foi merecida. Entretanto, quero aqui reparar uma injustiça cometida contra meu bar preferido: o Benditho Bar.

Eu considero o Benditho Bar o campeão moral do Comida di Buteco 2011. Vejam vocês que a organização do concurso propôs o tema feijoada para inspirar o prato, e todos os pratos deveriam seguir a inspiração. Ora, meus amigos Fábio e Alexandre seguiram a risca a determinação dos organizadores. E, junto com sua brilhante equipe, fizeram o Benditutu’s (leia aqui). Usaram todos os ingredientes solicitados. Salvo o campeão Bar da Gema, que outro bar pode se orgulhar de ter cumprido esta missão?

Nenhum, seguramente, dos quatro outros bares premiados, não obstante a qualidade dos petiscos etc. Ora, regras precisam ser cumpridas. Num mundo cada vez mais sem identidade, onde os pactos sociais são rompidos a cada esquina, o festival Comida di Buteco perdeu grande oportunidade de provar que as regras valem. Na minha modesta opinião, o Benditho merecia ficar entre os cinco primeiros, atrás, vá lá, do Bar da Gema. Mas entre os grandes vencedores da noite.

O Benditho Bar, dos amigos Alexandre (à esq.) e Fábio, é o campeão moral do Comida di Buteco 2011
Chegando a casa, no domingo à noite, lembrei que essa premiação se assemelha à do carnaval, na qual as escolas de samba mais empolgantes quase nunca levam o título. Vá se entender a cabeça dos jurados, não é mesmo? É o que sempre dizem nos bares da vida, quando o sujeito sabe, ele faz, quando não sabe, vira crítico. Seja de cinema, seja de bar.
Cervejeiro Maia foi à festa Saideira do Comida di Buteco a convite do Benditho Bar